SEMANA DE ENFERMAGEM: VIDAS SALVAS E O LEGADO DE ANNA NERY NA HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO

Este é o tema cuja Comissão Temática Permanente de Enfermagem em Saúde Mental do Coren-Acre, escolheu para homenagear a Enfermagem Acreana, que ocorrerá entre os dias 12 e 20 de maio de 2020.

A comemoração anual da Semana de enfermagem, acontecerá no período de 12 a 20 de maio, em homenagem às duas grandes heroínas, celebrado no dia 12 de maio “Dia Mundial do enfermeiro”, onde comemora-se o nascimento de Florence Nightingale e no dia 20 de maio o falecimento de Anna Nery.

De acordo com Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem (CEPE), Lei 7. 498/86, do Conselho Federal de Enfermagem-COFEN, a enfermagem compreende um componente próprio de conhecimentos científicos e técnicos, construído e reproduzido por um conjunto de práticas sociais, éticas e políticas que se processa pelo ensino, pesquisa e assistência. Realiza-se na prestação de serviços à pessoa, família e coletividade no seu contexto e circunstâncias de vida.

Dessa forma, baseada em evidências, a enfermagem torna-se perceptível na sociedade, na proporção que passa por transformações, de natureza prática de suas funções fundamentadas nos princípios desenvolvidos pela ciência, físicas, biológicas e sociais. Além disso, acompanha essas transformações através da produção científica no envolvimento em pesquisas, procurando agregar conhecimentos técnicos e científicos, atingindo a finalidade dos cuidados de promoção e recuperação das pessoas.

Sob esse prisma, evidencia-se a conquista da autonomia profissional, na extensão de seu papel, tornando-se relevante a partir da constatação de responsabilidades inerentes às suas ações, determinando a importância da enfermagem no contexto social.

Este olhar direcionado para a assistência de enfermagem em períodos diferentes, voltado para o cuidado humanizado surge frente as situações de grandes dificuldades na saúde pública brasileira.

 Desse modo, desde o surgimento da enfermagem no Brasil,  que foi a partir da implantação da primeira escola de enfermagem ‘intitulada Escola Anna Nery, em 1923, justa homenagem a Ana Justina Ferreira Néri, nascida em Vila da Cachoeira do Paraguaçu, na Bahia em 13 de dezembro de 1814, é considerada a pioneira da enfermagem no Brasil, integrando seu nome no livro dos herois e heroínas da Pátria, chamada de “mãe dos brasileiros” na guerra do Paraguai, quando em 1865, rompendo preconceitos da  sua época em que a sociedade priorizava o trabalho da mulher às atividades do lar, escreveu uma carta ao presidente da província, Solano Lopes, colocando-se à disposição para atuar na guerra do Paraguai no  período de 1864 a 1870, momento em que enfrentou o caos na saúde pública, transformando a realidade sanitária local, apropriando-se de conhecimentos cuja ciência na sua época lhe dispensava acompanhado de práticas empíricas de higiene, profilaxia e fitoterapia, nos cuidados destinados aos soldados na guerra.

 No momento que cientificamente adquirimos novos conhecimentos sobre a ciência de se trabalhar na   enfermagem, aumentamos as chances de recuperar e salvar vidas. Por outro lado, alinhando esses ingredientes, às práticas de atuação nos processos de trabalho da época, Anna Nery, protagonizou atributos no registro de seu legado, “perseverança no cuidar do próximo e a humanização do cuidado”.

Sob esse entendimento, é importante ressaltar o reconhecimento político e social da atuação da referida enfermeira, quando em 10 de agosto de 1938, o Presidente Getúlio Dornelles Vargas assinou o decreto Nº 2.958, instituindo o Dia do Enfermeiro. Em 12 de maio de 1960, o Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, assinou o decreto nº 48.202/60, instituindo a “Semana da Enfermagem” a ser celebrada anualmente, de 12 a 20 de maio.

Porém, em 1958, a Assembleia Geral da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), recomendou a criação, por ato oficial a “Semana da Enfermagem” consolidando a ideia de que o caminho da unidade fortalece interesses da Enfermagem.  

Contudo, através da Lei nº 7.498 de 15 de junho 1986, do Conselho Federal de Enfermagem-COFEN, momento histórico para a enfermagem brasileira, tornou-se livre em todo território Nacional e reconhecida como categoria oficial.

Nesse sentido, a enfermagem compreende um componente próprio de conhecimentos científicos e técnicos, construído e reproduzido por um conjunto de práticas sociais, éticas e políticas que se processa pelo ensino, pesquisa e assistência. Realiza-se na prestação de serviços à pessoa, família e coletividade, tanto no seu contexto quanto nas circunstâncias de vida.

A contribuição  que Anna Nery nos deixou, hoje se traduz através de uma das definições do que é o sentido do trabalho da  enfermagem, como a “arte de assistir o ser humano em suas necessidades básicas”, aplicando o raciocínio clínico e científico para impulsionar as práticas da enfermagem, acompanhando os avanços de novas tecnologias capacitando os profissionais da enfermagem a realizarem  procedimentos técnicos pertinentes nas diversas áreas de especialização, como por exemplo, a saúde mental, contribuindo para aprimorar a assistência humanizada às pessoas acometidas de transtornos mentais, respeitando suas necessidades.

Diante deste contexto, por sua brilhante história de luta voltada para salvar vidas humanas através da assistência humanitária, motivou o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), a instituir o “Prêmio Anna Nery” a maior comenda da Enfermagem no Brasil, disposto na Resolução COFEN N.º 482/2015.

 A partir deste momento, o Prêmio Anna Nery é honraria concedida pelo Conselho Federal de Enfermagem-COFEN, e será concedido ao profissional da enfermagem que tenha se distinguido pelo exercício profissional exemplar e/ou contribuído para o desenvolvimento da Enfermagem na esfera nacional ou de sua região, no âmbito da assistência, da administração, do ensino, da pesquisa ou da organização civil da categoria profissional, como forma de expressar o reconhecimento da profissão pelos bons serviços prestados.

As transformações ocorridas nas práticas do cuidado em enfermagem, é um processo contínuo na formação dos profissionais, sendo estes, amparados nas Resoluções do COFEN-COREN, o que permite a interação e a interdependência às mudanças necessárias e adequadas, visando a integralidade do cuidado, tema esse, complexo e desafiador, pois sugere inovações constantes e apropriações de conhecimentos técnicos e científicos no manejo e a aplicabilidade na assistência de enfermagem.

Nesse sentido, inicia-se a necessidade permanente da ampliação dos conhecimentos científicos na execução de cuidados mais humanizados, implementando os Processos de Enfermagem que em seu conjunto ressalta características peculiares especificas no planejamento do cuidado à pessoa, nas mais diferentes modalidades da assistência em enfermagem.

Diante dos fatos, vários estudos e pesquisas relacionados ao tema foram alcançados com o objetivo de implantar o Processo de Enfermagem, possibilitando estabelecer significados nas modalidades especificas de assistência à pessoa nas mais diferentes fases da vida. Nesse interim, foram inseridas construções teóricas elaboradas por profissionais enfermeiros e docentes, carregando saberes e experiência acerca dos conhecimentos científicos de suma importância para a assistência de enfermagem.

Conforme a teoria de Wanda de Aguiar Horta (1.968), “Enfermagem é a arte de assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas, de torna-lo independente desta assistência através da educação; de recuperar, manter e promover sua saúde, cotando para isso com a colaboração de outros grupos profissionais”. Esse conceito nos inspirou seguir o Processo de Enfermagem percebendo o ser humano” como um todo, não mera soma das partes constituintes”.

Cabe ressaltar que, embasados em conhecimentos científicos, bem como a importância dos saberes, exige-se do enfermeiro como líder da equipe, a organizar e direcionar a assistência, estabelecendo ações sistematizadas e inter-relacionadas, caracterizando-se pelo inter-relacionamento, praticando a liderança como uma estratégia na qualidade da assistência de enfermagem.

Com o intuito de divulgar novas construções teóricas e práticas em enfermagem, as escolas de enfermagem no Brasil juntamente com docentes e discentes, foi possível implantar a SAE-Sistematização da Assistência de Enfermagem, demonstrando uma complexidade inerente à práxis educativa em enfermagem, possibilitando maior aprendizagem e discussão em diferentes situações de sofrimento que a pessoa passa, buscando superar as dificuldades e percepções sobre a enfermagem que vigorou por alguns anos.  

A implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem -SAE e aplicação do Processo de Enfermagem, são fatores determinantes para minimizar riscos, organizar ações, acrescentando segurança no trabalho, melhorando com isso a qualidade da assistência. Estes aspectos constituem ferramentas importantes, objetivando fortalecer a integralidade da assistência em enfermagem.

Ainda assim, reforçou-se a importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem, a fim de que todos os profissionais enfermeiros seguissem uma metodologia desenvolvida a partir da prática do enfermeiro para sustentar a gestão e o cuidado no Processo de Enfermagem. O método segue regras, que organizado em cinco etapas, ajudam a fortalecer o julgamento e a tomada de decisão clínica assistencial do profissional enfermeiro.

As transformações sociais, tecnológicas e científicas permitiram que a assistência de enfermagem volte-se para a solução de problemas do indivíduo, tendo o Processo de Enfermagem como método seguro. Essa forma objetiva-se manter o mais satisfatório bem-estar da pessoa necessitando de cuidados.

 É imprescindível que o enfermeiro se aproprie dos instrumentos gerenciais para transformar o processo de cuidar, ao considerar que gerenciar a assistência é, entre outras coisas, organizar o cuidado, estão construindo uma relação entre a SAE e a própria gerência do cuidado (TORRES et al., (2011).

A partir do advento da pandemia, os profissionais de enfermagem convivem no enfrentamento da COVID 19. Situação que leva os profissionais de enfermagem conviverem a incerteza, enfrentando uma difícil batalha contra o coronavírus bem como a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), tão necessários à proteção de cuidados seguros, o que acaba sendo uma dificuldade diária.

             Por isso, convivendo com a pandemia, os profissionais de enfermagem são guerreiros, desafiando todos os obstáculos. A mudança nas rotinas diárias para cuidar de vidas enfrentando a pandemia do novo coronavírus, não podem mais conviver com familiares, isolam-se o tempo todo e passam mais tempo no hospital que com seus familiares, sofrendo solidão. Por outro lado, são os que estão na linha de frente, desafiando as pressões psicológicas que costumam levar tanto quanto ao surgimento de estresse e o sofrimento psíquico.

 Diante do atual cenário epidemiológico do país, os enfermeiros estão na linha de frente no combate ao novo vírus, destacam-se nos serviços ora executados. Percebe-se que a enfermagem é fundamental nesse momento, pois são profissionais que vão de encontro aos pacientes infectados, tornando-se necessários, os primeiros cuidados na tomada de decisões tão necessárias na identificação e na prevenção da vida da população.

É oportuno ressaltar que a história da enfermagem no Brasil iniciou-se através da dedicação e dos cuidados de Anna Nery, que atuou numa guerra entre países no século XIX, cujos inimigos eram visíveis (seres humanos) soldados, sendo seu trabalho reconhecido por autoridades da época, recebendo homenagens e honrarias que se perpetuou por toda a trajetória da enfermagem brasileira.

Enfim, hoje, no século XXI, acompanhamos a enfermagem atuando salvando vidas humanas sendo expostos as situações que os tornam vulneráveis, a adoecerem físico e mentalmente, além do perigo de ir a óbito. Portanto, percebe-se a empatia da população em agraciar os trabalhadores da enfermagem com ofertas de carinho, notoriedade e reconhecimentos por toda a sociedade pela dedicação, competência, abnegação, altruísmo e sabedoria com o qual desenvolve seu trabalho, dignos também, de receberem homenagens e honrarias.

Frente ao exposto, a Comissão Temática Permanente de Enfermagem em Saúde Metal do Conselho Regional de Enfermagem do Acre, envolvida com a conjuntura atual e a experiência vivenciada pela enfermagem brasileira, congratula todos os profissionais enfermeiros e técnicos de enfermagem pelo dia 12 de maio, data que se comemora o dia mundial do enfermeiro.

Maria de Lourdes da Rocha Rosa -Enfermeira Mestre em Educação Especial-UFScar. Professora Adjunto IV da Universidade Federal do Acre-UFAC. Especialista em Enfermagem Psiquiátrica-USP. R. Preto. Membro da Comissão Temática Permanente de Enfermagem de Saúde Mental do Coren-AC.

Tereza Jesus Canizo de Souza – Enfermeira. Especialista em Saúde Mental. Coordenadora da Comissão Temática Permanente de Saúde Mental do Conselho Regional de Enfermagem do COREN-AC.

 Camila Mendonça Daniel – Enfermeira. Especialista em Psiquiatria e Saúde Mental. Chefe do Serviços de Leitos de Saúde Mental do Pronto Socorro de Rio Branco-Acre. Membro da Comissão Temática Permanente de Saúde Mental do Conselho Regional de Enfermagem do COREN-AC

Comentário (1)

  • Antônia Magalhães da Silva| maio 13, 2020

    Essa categoria tem o seu valor e merece todo nosso respeito e eterna gratidão pela coragem e compromisso de cumprir e honrar o juramento feito qdo da escolha dessa digna profissão.

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